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A tecnologia a serviço de busca de reféns em Gaza

Especialistas de diferentes setores de tecnologia em Israel estão empenhados em buscar os rastros dos reféns retidos na Faixa de Gaza após o ataque do Hamas, com a ajuda de inteligência artificial e programas inovadores.

De uma “sala de controle” localizada em Tel Aviv, equipes de jovens especializados em tecnologia lideram a operação.

O objetivo é responder a uma série de questões: quem são os reféns? Onde foi o último lugar onde foram vistos? Estão feridos? É possível obter informações sobre seus paradeiros?

Cerca de 220 reféns, entre eles israelenses, cidadãos com dupla nacionalidade e estrangeiros, foram identificados pelas autoridades israelenses e estão detidos desde 7 de outubro em Gaza – para onde foram levados à força pelos comandos do movimento islâmico palestino Hamas.

O setor de tecnologia é um pilar da economia israelense, que se beneficia do serviço das empresas especializadas em segurança cibernética, atividade que ganhou notoriedade mundial a partir do escândalo do software espião Pegasus, da empresa NSO.

Poucos dias após o ataque do Hamas, que resultou na morte de mais de 1.400 pessoas, a maioria civis, especialistas se reuniram nos escritórios da empresa de comunicação Gitma BDO e comprometeram-se a identificar e buscar os reféns.

À primeira vista, a cena de jovens técnicos de aparência moderna com seus cafés, enquanto digitam em seus computadores, não difere muito das instalações de startups encontradas no Vale do Silício ou em Londres. No entanto, o trabalho em Tel Aviv é diferenciado.

Eles navegam pelas redes sociais, veem imagens do ataque e dos sequestros; em seguida, analisam as fotos com programas de inteligência artificial e reconhecimento facial, e as comparam com fotografias fornecidas pelas famílias dos reféns e desaparecidos.

Com a ajuda de especialistas em geolocalização, programadores e falantes de árabe, o trabalho permitiu fornecer rapidamente às autoridades um mapeamento preciso de quem foi sequestrado e quando foram vistos pela última vez.

As informações são transmitidas, posteriormente, para uma célula criada pelo exército para enfrentar esta crise de reféns.

  • Sofrimento das famílias –

Voluntários conseguiram identificar cerca de sessenta reféns, de acordo com Refael Franco, CEO da Código Azul, empresa de gerenciamento de situações de crise que ajudou a criar a equipe Gitam BDO.

“Estamos em uma sala de controle civil. Nosso principal objetivo é salvar vidas”, explicou Franco.

Nas telas, os mapas digitais da Faixa de Gaza estão repletos de marcadores coloridos referentes a dados específicos sobre os reféns.

“As pessoas aqui deixaram seus empregos. Diretores, chefes de departamentos de informática, fundadores de empresas, deixaram tudo de lado para ajudar”, contou o programador de 24 anos da Gitam BBDO, Ido Brosh, que afirma ter experiência em inteligência militar.

“É horrível que tenha sido esse o evento que nos uniu tanto. Mas também é a beleza deste país. Nos encontramos nos momentos difíceis”, Brosh pontua.

  • “Temos que trazê-la de volta” –

Tsili Wenkert “está vivendo um pesadelo”.

“É muito difícil para uma avó da minha idade saber que seu neto está capturado”, disse a mulher de 82 anos, referindo-se a Omer Weknert, de 22 anos, um dos centenas de jovens que foram em uma rave no deserto, perto da Faixa de Gaza.

Wenkert sabe que ele não está entre os 270 mortos, segundo as autoridades israelenses: ele aparece em imagens publicadas no canal do telegram do Hamas.

Seu neto foi identificado de cueca e amarrado na parte de trás de um caminhão cheio de homens armados, a caminho de Gaza.

Até o momento apenas quatro reféns – uma mulher americana, sua filha e duas mulheres na faixa dos 80 anos – foram libertadas após mediação egípcio-catariana.

Uma delas, Yocheved Lifshitz, de 85 anos, explicou que esteve detida em uma rede de túneis sob Gaza.

Na Gitma BDO, a tarefa às vezes assume um tom pessoal. O criador de conteúdo Omri Marcus exibiu uma foto da prima de seu melhor amigo, que ele colocou como papel de parede.

Ao mostrar a fotografia, ele diz que “ela está em Gaza agora. Temos que trazê-la de volta”.

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