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Tecnologia que ‘reorganiza’ átomos em lavouras pode acelerar secagem de grãos

Todo mundo conhece vendedores inconvenientes. No campo, as ofertas de soluções que prometem aumentar a produtividade se multiplicam — e, entre tantas novidades que revendas e startups oferecem, Pedro Luiz Marzura, que produz soja e milho no Paraná, decidiu testar uma gratuita.

Há duas safras, ele separou 30 hectares, de um total de 700, para conhecer a tecnologia da Effatha Agro. A solução da empresa utiliza frequências emitidas por satélites para ajustar as distâncias entre os átomos dos nutrientes do solo. Com isso, as plantas conseguem absorver melhor esses insumos, o que eleva a produtividade das lavouras.

Deu certo. Marzura relata que a produtividade nos 30 hectares em que ele utilizou a tecnologia foi 30% maior que nas demais áreas — o agricultor colheu 134,7 sacas de milho por hectare na área com rearranjo de átomos.

“Coloquei a tecnologia em um local da minha fazenda onde tenho produtividade historicamente menor que nas demais áreas. Demorei a acreditar porque era tudo muito avançado, mas o resultado apareceu”, diz.

De lá para cá, o produtor já adotou a tecnologia em áreas de milho duas vezes e, na safra 2023/24, vai usá-la pela segunda vez no cultivo de soja. “Na soja, a tecnologia tem me custado duas sacas por hectare para entregar de oito a dez sacas por hectare a mais”, afirma.

Segundo Marzura, as plantas em que ele usou a solução ficaram com caules mais grossos e estrutura mais firme. Com mais distância entre os átomos de potássio, por exemplo, as plantas usam menos energia para quebrar essas partículas. Isso faz com que “sobre disposição” para elas metabolizarem gordura, aminoácido e hormônio.

Agora, além da tecnologia de rearranjo dos átomos de fertilizantes e insumos, Marzura pretende usar a nova solução da empresa também por satélite: a secagem de grãos. “Como da outra vez, resolvi testar apenas em um pedaço da minha produção, consegui secar e entregar os grãos com 21,8% de umidade à cooperativa, em vez dos 24% que consegui no resto das minhas duas fazendas”, afirma.

Algoritmo na secagem
Segundo Marcelo Leonessa, CEO da Effatha Agro, a empresa consegue ativar a secagem de grãos no campo ou em silos. “Nosso algoritmo calcula uma sequência de frequências que afasta ou aproxima os átomos. Ela pode ser usada para a nutrição das plantas, mas também para acelerar a evaporação de água. Isso deixa a secagem mais rápida”, diz.

Além desse novo uso, a companhia começou a oferecer uma solução para pecuaristas, que permite melhorar a qualidade da grama e da silagem que o gado consome. “Em vegetações rasteiras, a massa verde cresce até 40%, mas a média fica entre 20% e 25%”, afirma Luzo Dantas Júnior, que, ao lado de Rodrigo Lovato, fundou a empresa.

Até esta safra 2023/24, a Effatha vendia aos produtores diretamente ou por meio de representantes. Agora, ela terá parcerias com revendas e cooperativas. Com isso, a empresa projeta que seu faturamento vai crescer 30% neste ciclo, para R$ 20 milhões.

A companhia também já deu seus primeiros passos no mercado externo: ela tem hoje clientes em 11 países. “Ainda não temos como dar um bom suporte em outras regiões, por isso começamos aos poucos, mas a tendência é de crescimento”, afirma Dantas Júnior.

A ideia de criar a empresa surgiu no início dos anos 2000, quando o empresário, que sempre atuou com tecnologia da informação, assistiu a um vídeo na internet que mostrava o uso de diferentes frequências de som no rearranjo de areia em uma placa de alumínio. Em 2007, ele registrou sua primeira experiência de laboratório bem-sucedida na área agrícola e, sete anos depois, criou uma solução. Rodrigo Lovato, veterinário de formação, juntou-se ao negócio em 2017.

No modelo de negócios da Effatha, o produtor paga um valor cheio por hectare em 30 de abril e 30 de agosto, para aproveitar as duas principais safras de grãos do país. Também é possível pagar antecipadamente com desconto. Além disso, nesta temporada, a companhia começará operações de barter (troca de insumos pela entrega de produtos agrícolas no futuro) com revendas e cooperativas, recebendo grãos como meio de pagamento. No caso de pastos e florestas, o pagamento pode ser por assinatura anual.

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