A tecnologia tem sido um grande impulsionador da transformação social e econômica no mundo inteiro. No entanto, apesar de compartilharem o mesmo idioma, o português, Brasil e Portugal apresentam diferenças significativas nos termos técnicos usados para descrever itens e processos tecnológicos. Essa distinção linguística, muitas vezes, reflete não só um aspecto cultural, mas também a evolução distinta que os dois países tiveram no uso de novas tecnologias. Um exemplo clássico disso são os termos usados para descrever equipamentos como computador, mouse e monitor, que no Brasil são chamados de “desktop”, “mouse” e “monitor”, enquanto em Portugal, essas palavras são substituídas por “computador de secretária”, “rato” e “ecrã”. Este fenômeno linguístico, embora curioso, não é restrito apenas a esses itens, abrangendo diversos aspectos da terminologia tecnológica nos dois países.
Entre as muitas diferenças de vocabulário, uma das mais notáveis está no uso do termo “navegador” no Brasil, enquanto em Portugal é mais comum ouvir “browser”. Ambos os termos se referem ao mesmo conceito de software utilizado para acessar a internet, mas o Brasil adotou um termo de origem portuguesa, “navegador”, que remete à ação de navegar pelas páginas da web. Já em Portugal, o uso de “browser” evidencia uma tendência maior em adotar palavras diretamente do inglês, uma língua que tem grande influência no setor tecnológico. Essas diferenças de vocabulário não param por aí, pois o ato de salvar uma cópia dos dados em um dispositivo de armazenamento também é entendido de forma diferente: no Brasil, usamos “backup”, enquanto em Portugal a preferência é por “cópia de segurança”, um termo que se aproxima mais do seu significado literal.
Outro exemplo fascinante dessas distinções está no uso de palavras como “celular” no Brasil e “telemóvel” em Portugal. Ambas as palavras se referem ao mesmo dispositivo eletrônico usado para comunicação móvel, mas a escolha dos termos está ligada a tradições locais. No Brasil, o termo “celular” se popularizou com o tempo, enquanto em Portugal, “telemóvel” reflete a ideia de um telefone móvel, mais próximo ao conceito de telefonia fixa, mas adaptado ao contexto da mobilidade. Essa diferença de termos, embora pequena, reflete como a adaptação à tecnologia ocorre de maneiras diferentes em cada país, dependendo de fatores históricos e culturais.
Além disso, em Portugal, a expressão “ecrã” é amplamente usada para se referir ao monitor ou tela de dispositivos, um termo que no Brasil foi substituído por “monitor”. A palavra “ecrã” vem do francês “écran”, enquanto “monitor” tem uma origem mais universal, possivelmente derivada do inglês, que acabou se estabelecendo como o termo oficial no Brasil. Esse exemplo revela como, apesar de os dois países compartilharem raízes linguísticas comuns, o Brasil, com sua proximidade cultural e econômica com os Estados Unidos, tende a adotar mais termos internacionais, enquanto Portugal preserva um vocabulário mais enraizado nas línguas europeias.
Ao analisar a diferença na terminologia tecnológica, também é interessante notar que termos como “interface gráfica” no Brasil e “interface gráfica de utilizador” em Portugal possuem uma grande semelhança, mas com uma diferença que reflete o uso de uma construção linguística mais formal em Portugal. No Brasil, a abreviação “interface gráfica” é suficiente para que os usuários compreendam a função e a utilidade do conceito, enquanto em Portugal, o termo “utilizador” é uma adaptação que faz mais referência ao sujeito ativo da interação com o sistema, dando ênfase ao usuário como parte do processo.
É possível perceber que a tecnologia está intimamente ligada à linguagem, e essa relação pode ser vista de maneira clara quando se comparam os termos usados no Brasil e em Portugal. A adaptação de novos conceitos e ferramentas tecnológicas depende de vários fatores, incluindo a história, a cultura e a forma como as palavras são assimiladas nas diferentes regiões. No Brasil, por exemplo, muitos termos técnicos foram adaptados diretamente de outras línguas, especialmente do inglês, dado o papel preponderante dos Estados Unidos no desenvolvimento e difusão das tecnologias. Em Portugal, a preservação de palavras de origem latina ou francesa mantém um vínculo mais forte com as raízes europeias, o que torna a terminologia local ainda mais única.
Essa diferença nos termos técnicos pode gerar confusão para quem está acostumado com um vocabulário específico. Por exemplo, um brasileiro que viaja para Portugal e tenta acessar a internet pode ficar confuso ao procurar por um “browser”, enquanto em terras lusas, o correto seria procurar um “navegador”. Da mesma forma, o processo de realizar um “backup” no Brasil pode ser chamado de “cópia de segurança” em Portugal. Embora a funcionalidade de ambos os termos seja a mesma, a terminologia variada pode ser um pequeno obstáculo para quem não está familiarizado com o vocabulário local.
Em resumo, as curiosas diferenças de termos técnicos entre o Brasil e Portugal mostram como a linguagem e a tecnologia estão interligadas e como a mesma inovação pode ser descrita de formas distintas em diferentes países que falam o mesmo idioma. Essa variação linguística reflete as peculiaridades culturais e históricas de cada nação, e por isso, é importante estar ciente dessas diferenças para uma comunicação mais eficaz em um mundo globalizado. Mesmo que as tecnologias sejam as mesmas, as palavras que as descrevem podem variar bastante, e isso faz parte da riqueza do idioma português, que continua a se adaptar às necessidades e inovações da sociedade.
Autor: Rollang Barros Tenis
Fonte: Assessoria de Comunicação da Saftec Digital