Cinco startups iniciam aceleração de soluções para eficiência energética na Indústria 4.0

Por Redação Tribuna Tech 6 Min de leitura
Close de manômetros industriais instalados em uma grade metálica dentro de uma fábrica.

Cinco startups brasileiras iniciaram a etapa de aceleração do Lab Procel II, programa voltado ao desenvolvimento de soluções para eficiência energética e inovação na indústria. A iniciativa é conduzida pelo Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel), executado pela Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional (ENBPar).

As empresas selecionadas na terceira chamada pública são XMA.IA, Getter IA, Optimatech, Mestti e Aquapower. Seus projetos combinam sensores, internet das coisas, modelos matemáticos, análise de dados e geração de energia limpa para monitorar operações, identificar desperdícios e melhorar o desempenho de máquinas e processos industriais.

O início da nova fase foi divulgado pela ENBPar em 29 de setembro de 2026. Antes disso, em 11 de setembro, foi realizado um encontro de abertura na Casa Firjan, no Rio de Janeiro. A aceleração deverá aproximar as empresas de ambientes industriais e apoiar a evolução das tecnologias para aplicações mais próximas do mercado.

Startups aplicam dados e sensores ao consumo de energia

Os projetos selecionados atuam em diferentes pontos da operação industrial. A XMA.IA desenvolve soluções de sensoriamento para ambientes sujeitos a condições adversas, incluindo locais com alta umidade e temperatura. O objetivo é permitir a coleta de informações mesmo em situações que podem dificultar o funcionamento de equipamentos convencionais.

A Getter IA, por sua vez, criou uma plataforma para cruzar dados de produção e consumo de energia. A integração dessas informações pode ajudar empresas a relacionar o desempenho de suas operações ao gasto energético, oferecendo uma visão mais ampla sobre onde estão os principais pontos de desperdício.

A Optimatech utiliza modelos matemáticos e sensores para identificar perdas em tempo real. A proposta está ligada ao acompanhamento contínuo da operação, permitindo que anomalias e oportunidades de melhoria sejam percebidas durante o funcionamento das máquinas e das linhas de produção.

Também fazem parte da seleção a Mestti e a Aquapower. A primeira monitora máquinas, processos e consumo energético. Já a segunda desenvolve pequenas turbinas capazes de aproveitar o fluxo de água em tubulações industriais e sistemas urbanos para gerar eletricidade, explorando uma fonte que normalmente não é utilizada para esse fim.

Como funciona a etapa de aceleração

A aceleração prevê acompanhamento técnico, validação das tecnologias e realização de testes em ambientes próximos das condições reais de operação. O trabalho também inclui o aprimoramento dos modelos de negócio e a aproximação das startups com empresas industriais interessadas em avaliar as soluções.

Os projetos estão entre os níveis de maturidade tecnológica TRL 5 e TRL 8. Essa classificação indica que as tecnologias já passaram por etapas de validação e, em diferentes graus, estão em fase avançada de demonstração e preparação para uma possível aplicação comercial. A aceleração busca reduzir a distância entre o desenvolvimento técnico e o uso efetivo em operações industriais.

Na prática, a iniciativa coloca ferramentas associadas à Indústria 4.0 em contato com problemas concretos de fábricas e sistemas de infraestrutura. Sensores e dispositivos conectados podem coletar informações de máquinas; plataformas digitais organizam os dados; e modelos matemáticos apoiam a identificação de padrões e desperdícios.

Eficiência energética como aplicação da Indústria 4.0

A eficiência energética na Indústria 4.0 depende não apenas de equipamentos mais econômicos, mas também da capacidade de medir o consumo e relacioná-lo ao desempenho da produção. Esse acompanhamento permite que decisões sejam tomadas com base em dados operacionais, em vez de depender somente de estimativas ou verificações pontuais.

As soluções selecionadas pelo Lab Procel II mostram diferentes caminhos para esse processo. Enquanto algumas empresas concentram esforços no sensoriamento e no monitoramento, outras trabalham com integração de dados, otimização matemática ou geração de eletricidade a partir de fluxos disponíveis em sistemas industriais e urbanos.

O programa também evidencia o papel das startups na busca por respostas tecnológicas para desafios de energia. Empresas menores podem testar propostas específicas, adaptar seus produtos a diferentes ambientes e validar modelos de negócio em parceria com organizações que conhecem as exigências da operação industrial.

Com a nova etapa, XMA.IA, Getter IA, Optimatech, Mestti e Aquapower terão seus projetos acompanhados em um processo que combina desenvolvimento tecnológico e aproximação com o mercado. A expectativa é que os testes e as validações ajudem a definir como essas soluções podem contribuir para reduzir desperdícios, aperfeiçoar processos e ampliar o uso de tecnologias digitais na indústria brasileira.

Além da divulgação da ENBPar, o contexto do Lab Procel II foi apresentado pela Firjan. A seleção das empresas também está relacionada à chamada pública do programa, cuja divulgação dos habilitados foi registrada pelo Lab Procel II.

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