A precificação dos ativos de um FIDC envolve uma escolha relevante para os investidores, e a ID CTVM observa como diferentes metodologias podem afetar o valor das cotas ao longo do tempo
A precificação dos ativos que compõem a carteira de um fundo de investimento em direitos creditórios segue, no mercado brasileiro, uma de duas metodologias principais, cuja escolha influencia diretamente a forma como o valor da cota é calculado ao longo do tempo. Na marcação a mercado, os ativos são precificados com base em seu valor justo estimado em determinado momento, capturando variações de taxa de juros, prazo remanescente e percepção de risco de crédito, o que faz com que o valor da cota oscile de forma mais dinâmica. Já na marcação na curva, os ativos são registrados pelo valor de aquisição acrescido da rentabilidade contratada até o vencimento, metodologia que resulta em uma evolução mais linear e previsível do valor da cota ao longo da vida do fundo.
Essa escolha metodológica, disciplinada pela regulamentação contábil aplicável a fundos de investimento, não é uma decisão meramente técnica de bastidores, mas um elemento que influencia diretamente a percepção de risco do investidor e a equidade entre cotistas que ingressam ou deixam o fundo em momentos diferentes de sua existência.
Liquidez do fundo orienta a escolha da metodologia mais adequada
Fundos estruturados como veículos fechados, nos quais o resgate de cotas costuma ocorrer apenas em datas específicas previstas no regulamento ou ao final do prazo de duração do fundo, tendem a apresentar maior compatibilidade com a marcação na curva, uma vez que a ausência de resgates frequentes reduz o risco de que oscilações de curto prazo no valor de mercado dos ativos prejudiquem injustamente cotistas que permanecem investidos por todo o período. Já fundos abertos, que permitem resgate mais frequente de cotas, tendem a exigir marcação a mercado como forma de assegurar que o valor pago a um cotista que resgata suas cotas reflita adequadamente o valor real da carteira naquele momento, evitando transferência de riqueza entre cotistas remanescentes e cotistas que se retiram do fundo.
Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa relação entre liquidez do fundo e metodologia de precificação é um dos pontos que exigem atenção redobrada de administradores fiduciários na estruturação de qualquer operação.
“A escolha da metodologia de precificação não pode ser dissociada do desenho de liquidez do fundo. Se um fundo permite resgates frequentes, mas marca seus ativos na curva, existe o risco de que um cotista resgate em um momento desfavorável para quem permanece investido, capturando um valor que não reflete a realidade de mercado daquele ativo. Esse é um dos motivos pelos quais a regulamentação exige critérios claros e consistentes para essa escolha, registrados no regulamento de cada fundo”, afirma o executivo.
A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados de diferentes perfis, sendo responsável por assegurar a aplicação consistente da metodologia de precificação definida no regulamento de cada operação sob sua administração, independentemente do setor econômico de origem dos ativos que compõem a carteira.
Transparência na divulgação sustenta a confiança do investidor
A divulgação periódica e transparente da metodologia de precificação adotada por um fundo, incluindo eventuais mudanças de critério ao longo de sua existência, é um elemento central para que investidores compreendam adequadamente a natureza do valor de cota que estão adquirindo ou resgatando em determinado momento. Fundos que mantêm comunicação clara sobre essa metodologia tendem a reduzir o risco de questionamentos futuros por parte de cotistas que não compreenderam plenamente a dinâmica de precificação adotada pela estrutura.
Auditores independentes desempenham papel relevante nesse processo, ao verificar periodicamente se a metodologia de precificação divulgada está sendo aplicada de forma consistente pelo administrador fiduciário, funcionando como uma camada adicional de verificação que reforça a credibilidade da informação disponibilizada aos investidores.
Volatilidade de curto prazo pode distorcer a leitura do investidor
Fundos que adotam marcação a mercado tendem a exibir maior volatilidade no valor de suas cotas em janelas curtas de tempo, o que pode gerar interpretações equivocadas por parte de investidores menos familiarizados com a metodologia, levando-os a associar essa oscilação a uma deterioração da qualidade de crédito da carteira, quando na verdade ela reflete apenas variações nas taxas de referência utilizadas para o cálculo do valor justo dos ativos. Administradores fiduciários e gestores costumam investir em comunicação educativa junto aos cotistas para reduzir esse tipo de interpretação equivocada, especialmente em fundos voltados a investidores de varejo qualificado com menor familiaridade técnica.
Já a marcação na curva, embora ofereça maior estabilidade aparente ao valor da cota, pode mascarar temporariamente uma deterioração real na qualidade de crédito da carteira, caso o fundo não realize provisionamentos adequados diante de sinais de inadimplência crescente. Por esse motivo, a regulamentação exige que fundos que utilizam essa metodologia mantenham processos rigorosos de constituição de provisões para perdas esperadas, de forma a evitar que o valor contábil da cota se distancie excessivamente de sua realidade econômica.
Perspectivas para a precificação de ativos em fundos estruturados
Com a indústria de FIDCs brasileira ampliando sua base de investidores institucionais e de varejo qualificado, a tendência é que a clareza metodológica na precificação de ativos siga como um pilar técnico essencial para sustentar a confiança do mercado nesse tipo de veículo de investimento. Para administradores fiduciários, a consistência entre desenho de liquidez e metodologia de marcação deve continuar sendo um dos fundamentos centrais da boa governança em operações de crédito estruturado.
Sobre a ID CTVM
A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.
