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Destaque: os investimentos em tecnologia dos maiores bancos do Brasil

Migração de sistemas legados, implementação de plataformas em nuvem, aprimoramento de chatbots com algoritmos aprimorados de IA e novos sistemas omnichannel são os principais direcionadores de investimento dos maiores bancos do Brasil quando o assunto é tecnologia e redes.

Os 21 principais bancos do país investiram cerca de R$ 35 bilhões (US$ 6,69 bilhões) em tecnologia no ano passado, ante R$ 30 bilhões em 2021, segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Mais recentemente, no entanto, bancos como Bradesco e Itaú começaram a olhar de perto para o 5G.

O Itaú firmou contrato plurianual com a Telefônica Brasil para 5G em suas agências, ao mesmo tempo em que se associou à TIM. Outros bancos também estão avaliando a tecnologia.

ITAÚ UNIBANCO

Nuvem, inteligência artificial/machine learning e big data/analytics, com uma abordagem de desenvolvimento de metodologia ágil, constituem os principais pilares dos investimentos em tecnologia do Itaú, de acordo com o banco.

Na nuvem, o Itaú disse ter alcançado sua meta de migrar cerca de 50% dos mais de 3.700 serviços para a nuvem da AWS até o final de 2022.

“Eu disse a vocês que 2022 foi um marco importante para a transformação digital do banco”, disse o CEO Milton Maluhy Filho em teleconferência de resultados.

Em dezembro de 2020, o Itaú contratou a Amazon Web Services para realizar a migração para a nuvem naquele que é visto como um dos maiores contratos da AWS na América Latina, parte de um acordo de 10 anos.

“Conseguimos atingir nossa meta de 50% de nossas plataformas modernizadas com tecnologia de ponta e totalmente descomponentizadas. Com relação à competitividade de nossas plataformas, atingimos a modernização de 70% do que entendemos ser relevante para a jornada do cliente”, disse Maluhy Filho na teleconferência.

Mas “em vez de olhar para o número absoluto de 50%, prefiro olhar para essa evolução porque é o que impacta a experiência do usuário”, acrescentou.

Segundo o CEO, a migração permite ao Itaú responder mais rapidamente aos problemas dos clientes, aumentar a capacidade de entrega de produtos, corrigir erros e entregar novas funcionalidades à produção.

O Itaú agora investe no desenvolvimento de soluções o dobro do que investiu em 2018 e essa digitalização levou o banco a reduzir em 42% seus custos de infraestrutura no período.

Atualmente, o banco afirma implementar 1.434 iniciativas de transformação digital.

Com a digitalização vem a redução da pegada física. O Itaú encerrou o ano com 402 “agências digitais” no Brasil, 11 a mais que em setembro, e 3.800 físicas, considerando o Brasil e suas demais operações na América Latina. O número de agências físicas brasileiras caiu 18% em quatro anos.

A participação das interações digitais – contratos, transferências e pagamentos feitos em todos os canais, exceto dinheiro – das pessoas físicas com o banco chegou a 94% no quarto trimestre, ante 91% no mesmo período de 2021.

Enquanto isso, o fluxo de abertura de contas online cresceu 22% e a aquisição digital de produtos e serviços aumentou 1,3 vezes ano a ano, de acordo com o banco.

O Itaú também aposta em investimentos e parcerias em startups, inclusive por meio de M&A, e possui um fundo de corporate venture capital na ponta de equity. Os investimentos de venture capital foram feitos nas startups Monkey, Digibee, Paketá Credito, Liqi, SAKS e Tenchi.

Já as parcerias comerciais de tecnologia incluem Locaweb, Samsung, PayPal, Telefônica Brasil e Apple, e no setor de M&A e JV, Totvs (Techfin), ZUP, Ideal, Orbia, Avenue e Pravaler.

O Itaú disse que investiu R$ 2,9 bilhões em negócios e tecnologia em 2021. Não divulgou detalhes dessa linha para 2022.

SANTANDER

O Santander disse que encerrou dezembro com 90% de suas operações rodando na nuvem, embora o banco não especifique nuvem privada ou pública ou ambas, porque o banco afirma ter o único datacenter nível IV do país em operação.

Globalmente, a estratégia do Santander envolve um ambiente híbrido e multinuvem, agrupando a nuvem privada com a nuvem pública da AWS e da Microsoft.

Dos 60,1 milhões de clientes do Santander Brasil em dezembro, 31,8 milhões eram considerados clientes ativos. Destes, 20,4 milhões eram clientes digitais, ante 18,3 milhões em dezembro de 2021. O Santander define clientes digitais como aqueles que acessaram qualquer canal digital nos últimos 31 dias.

Os canais digitais do banco tiveram um total de 541 milhões de visitas por mês em 2022, tendo gerado 45 milhões de contratos durante o ano (um aumento de 17%), com 97% das interações com clientes agora ocorrendo por meio de canais digitais. Além disso, o banco conquistou 8,9 milhões de clientes no ano, 67% dos quais originados em canais digitais.

Todo esse impulso fez com que o custo de atendimento aos clientes digitais caísse 31% em dezembro em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 18 por cliente, segundo o Santander.

Finanças abertas e energia

O Santander Brasil recebeu até o momento 3,4 milhões de solicitações de consentimento de entrada ativas no open banking (open finance), o que é 2,7 vezes maior do que as solicitações de saída. Isso permitiu ao banco aumentar sua carteira em R$ 100 milhões por meio do uso de dados, afirmou.

Com foco na inovação em linhas de negócios sustentáveis, o banco criou recentemente o Energia+, um canal de e-commerce que permite aos clientes simular e adquirir digitalmente projetos de geração de energia solar para residências ou imóveis comerciais, agilizando o processo de compra.

O banco também expandiu sua presença oferecendo novos serviços e entrando em mercados por meio de crescimento orgânico e inorgânico, incluindo dezenas de aquisições e parcerias nos últimos dois anos.

BANCO DO BRASIL

O investimento em aceleração digital está listado como um dos sete pilares do guidance 2023 do Banco do Brasil. No quarto trimestre, o banco investiu R$ 52,7 milhões em segurança e R$ 659 milhões em tecnologia da informação.

Desde 2016, o Banco do Brasil já investiu mais de 25 bilhões de reais em tecnologia. O banco afirma ter um dos maiores parques tecnológicos da América Latina, processando até 14,6 bilhões de transações por dia.

O número de clientes que utilizam os canais digitais (internet e mobile banking) atingiu 27,1 milhões no quarto trimestre de 2022, ante 26,9 milhões no trimestre anterior, com 92,4% de todas as transações realizadas por meio desses canais.

As plataformas digitais representaram 30,4% dos empréstimos pessoais concedidos, informou.

O Banco do Brasil possui duas equipes que desenvolvem com parceiros soluções para quatro verticais: blockchain, 5G/IoT, inteligência artificial e campos inteligentes.

Na nuvem, o banco afirma ter ampliado sua capacidade de processamento ao incluir soluções como open finance, PIX, chatbots e Mappiá ao longo de 2022.

O Banco do Brasil disse que viabilizou novos negócios e inovações por meio de inteligência artificial e soluções como Minhas Finanças Multibanco, BB no Metaverso e transações ativadas por voz.

Em relação aos assistentes virtuais, no último trimestre o banco teve um aumento de 29,5% de usuários únicos em relação ao quarto trimestre de 2021, e manteve a taxa de transferência para assistentes humanos em 5,7%.

Energia, CVC e força de trabalho

Para 2023, o banco espera ampliar sua atuação no mercado de carbono, com o desenvolvimento de novas tecnologias para mapeamento de potenciais projetos em sua base de clientes e a ampliação de parcerias estratégicas.

O Banco do Brasil também vem dobrando as apostas no capital de risco corporativo (CVC).

Além dos investimentos em fundos como Astella Investments, Indicator Capital e SP Ventures, o banco possui dois fundos exclusivos: um sob gestão da MSW Capital, especializada na integração entre corporações e startups, e outro com a Vox Capital, especializada em investimentos de impacto, ambos focados em fintechs, govtechs e startups que melhoram a experiência do cliente.

Os fundos exclusivos do banco encerraram o ano com quatro investimentos: Aprova Digital, Bitfy, Pagaleve e Yours Bank.

Por fim, o banco abriu em dezembro um processo seletivo de novos talentos que contempla 4 mil vagas e 2 mil para o cadastro reserva, metade das quais para cargos de tecnologia.

BRADESCO

O Bradesco, segundo maior banco privado do país depois do Itaú, ampliará suas iniciativas digitais por meio de parcerias com startups, entre outras, buscando aprofundar o relacionamento com os clientes e reduzir custos operacionais.

Os canais digitais do banco representaram 98% de todas as transações no final de 2022 e foram responsáveis por mais de 33% do crédito concedido no ano.

Ao todo, o banco encerrou 2022 com 77,1 milhões de clientes, sendo que cerca de 70% dessa base são considerados correntistas digitais. O Bradesco também afirma ter 16 grandes plataformas digitais atendendo clientes em seus segmentos ‘exclusivo’ e ‘prime’.

Enquanto isso, a unidade Digio neobank do banco fechou 2022 com 5,1 milhões de contas, um aumento de 45% em relação ao ano anterior.

“A transformação digital do banco continua em ritmo acelerado. O Bradesco agora é, sobretudo, também um banco digital, apresentando crescimento no número de transações, na geração de crédito e em todos os produtos e serviços que oferecemos digitalmente”, disse o diretor de relações com investidores, Carlos Firetti, em teleconferência de resultados.

Nuvem

O Bradesco tem como meta atingir 75% das transações dos canais digitais rodando na nuvem até 2025, tendo o Microsoft Azure como principal provedor.

Seu aplicativo móvel utiliza infraestrutura em nuvem fornecida pela IBM, enquanto a assistente virtual do banco, BIA, foi criada com base na plataforma de inteligência artificial Watson, da IBM, e lançada em 2016, o primeiro caso de uso desse tipo no país.

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