INPE coloca em operação modelo brasileiro de previsão do tempo com apoio de supercomputador

Por Redação Tribuna Tech 5 Min de leitura
Sala de supercomputação com servidores usados no processamento de dados meteorológicos

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) iniciou, em setembro de 2026, a operação oficial do MONAN, sigla para Modelo para Previsões de Oceano, Terra e Atmosfera. Desenvolvido no Brasil, o sistema foi criado para aprimorar a representação das condições atmosféricas, oceânicas e terrestres na América do Sul.

O modelo funciona no supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do INPE em Cachoeira Paulista, no interior de São Paulo. A combinação entre o software científico e a nova infraestrutura de processamento amplia a capacidade brasileira de produzir previsões meteorológicas e de apoiar decisões relacionadas a eventos extremos.

Como funciona o modelo brasileiro de previsão do tempo

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o MONAN trabalha com resolução global de 10 quilômetros. O sistema realiza duas atualizações por dia e pode gerar previsões com até 11 dias de antecedência.

Na prática, o modelo processa informações relacionadas a diferentes componentes do sistema terrestre. A proposta é oferecer uma leitura mais integrada das condições que influenciam o tempo e o clima, considerando não apenas a atmosfera, mas também as interações com os oceanos e a superfície terrestre.

O desenvolvimento do MONAN levou três anos. A operação oficial representa a passagem de uma etapa de construção e testes para o uso regular da ferramenta na produção de previsões. O objetivo é fortalecer uma capacidade tecnológica nacional em uma área estratégica para o planejamento público e privado.

Supercomputador Jaci dá suporte ao processamento

O Jaci é o equipamento responsável por executar os cálculos necessários ao funcionamento do modelo no centro de dados do INPE. A infraestrutura faz parte do projeto RISC, iniciativa de renovação da capacidade de supercomputação do instituto voltada à pesquisa climática e meteorológica.

O nome do supercomputador foi escolhido em uma votação pública, conforme informações divulgadas pelo INPE. A disponibilidade de maior capacidade de processamento é importante porque modelos numéricos dependem da análise de grandes volumes de dados e da execução de cálculos complexos em períodos compatíveis com a rotina de previsão.

Com o MONAN e o Jaci, o Brasil passa a contar com uma estrutura desenvolvida para atender às características da América do Sul. O foco regional permite produzir informações relevantes para um território marcado por diferentes regimes de chuva, áreas costeiras, zonas agrícolas e regiões sujeitas a secas, enchentes e tempestades.

Aplicações em alertas e planejamento

As previsões produzidas pelo modelo poderão apoiar a emissão de alertas para tempestades, secas e outros eventos meteorológicos extremos. Essas informações são úteis para órgãos de proteção civil, que dependem de antecipação para organizar respostas, orientar populações e reduzir riscos em áreas vulneráveis.

O sistema também pode contribuir para o planejamento de setores diretamente afetados pelas condições do tempo. Entre as aplicações citadas estão a agricultura, o gerenciamento de recursos hídricos, a logística, a geração de energia e a prevenção de desastres naturais.

Para produtores rurais, previsões mais detalhadas podem auxiliar decisões relacionadas ao plantio e às operações no campo. Na gestão da água, informações sobre chuvas e períodos secos ajudam a orientar o uso de reservatórios e outros recursos. Já em setores como transporte e energia, as condições meteorológicas são variáveis relevantes para a operação e o planejamento.

Avanço tecnológico com impacto nacional

O início da operação do MONAN também é apresentado pelo governo como um avanço na soberania científica e tecnológica brasileira. Ao desenvolver o modelo e manter a infraestrutura de processamento no país, o INPE amplia a autonomia nacional na produção de dados e previsões voltados às necessidades do território brasileiro.

Em reportagem publicada pela Agência Brasil, o início da operação foi associado ao esforço de criação de um modelo próprio de previsão do tempo. A iniciativa mostra como a supercomputação pode ser aplicada a problemas concretos, indo além de usos ligados a serviços digitais e equipamentos de consumo.

O MONAN não elimina a necessidade de acompanhamento técnico e de análise dos dados por especialistas. Seu papel é fornecer uma base computacional para gerar previsões com maior alcance e apoiar instituições que precisam tomar decisões diante de mudanças nas condições meteorológicas. A operação oficial marca, assim, uma nova etapa na infraestrutura brasileira de pesquisa e previsão ambiental.

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