Monashees é escolhida por BNDES e Finep para fundo nacional de IA

Por Redação Tribuna Tech 5 Min de leitura
Ilustração 3D abstrata de uma rede neural artificial com conexões digitais luminosas.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) selecionaram a Monashees Gestão de Investimentos para administrar um novo fundo voltado a empresas brasileiras de inteligência artificial. A iniciativa poderá mobilizar até R$ 500 milhões e integra as ações previstas no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA).

O anúncio foi divulgado em 14 de setembro de 2026 pela Agência BNDES de Notícias. Apesar da cifra anunciada, o valor representa uma estimativa de mobilização de recursos, e não um aporte imediato ou integral já transferido às startups. A Monashees ainda passará pelas etapas de análise, diligência e estruturação do fundo.

Fundo busca ampliar empresas brasileiras de inteligência artificial

A chamada pública recebeu 17 propostas antes da escolha da gestora. O fundo será estruturado como um Fundo de Investimento em Participações, modalidade que permite investir diretamente em empresas e acompanhar seu desenvolvimento. Nesse caso, o foco estará em negócios nos quais a inteligência artificial seja um componente central do modelo de atuação.

Na prática, podem estar no radar empresas que desenvolvem modelos, aplicações ou infraestrutura relacionados à inteligência artificial. A seleção, porém, não significa que todas as companhias desse segmento receberão recursos. Os critérios de investimento, o cronograma e a composição final do fundo ainda dependem das fases de avaliação e estruturação conduzidas após a escolha da Monashees.

Segundo o BNDES, a iniciativa tem três objetivos principais: ampliar o número de startups brasileiras intensivas em IA, aumentar o faturamento dessas empresas e fortalecer sua presença no mercado global. O desenho procura atender a uma dificuldade recorrente do ecossistema de inovação: transformar conhecimento técnico e pesquisa em negócios capazes de crescer e competir fora do país.

Capital é considerado estratégico para startups de IA

Empresas de inteligência artificial podem precisar de investimentos elevados para desenvolver produtos, contratar profissionais especializados, processar grandes volumes de dados e ampliar sua capacidade computacional. Para startups em fase de crescimento, a disponibilidade de capital também pode influenciar a velocidade de lançamento de soluções e a capacidade de disputar clientes com companhias estrangeiras.

O fundo pretende atuar nesse ambiente ao aproximar recursos de desenvolvimento e empresas brasileiras com potencial de escala. A proposta não se limita ao uso de ferramentas de IA por negócios tradicionais: o foco anunciado está em companhias que tenham a tecnologia no centro de seus produtos ou serviços. Isso inclui diferentes camadas do setor, desde aplicações especializadas até soluções de infraestrutura, conforme os critérios que serão definidos na estruturação.

A expectativa é que o mecanismo ajude a formar uma base empresarial nacional mais robusta. Além de apoiar individualmente as startups selecionadas, investimentos desse tipo podem contribuir para a criação de competências, propriedade intelectual e produtos desenvolvidos no Brasil. Esses efeitos, contudo, dependerão da execução do fundo, da seleção das empresas e da capacidade de os negócios alcançarem escala.

Iniciativa faz parte do Plano Brasileiro de IA

A escolha da Monashees está relacionada ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, política pública que orienta ações para o desenvolvimento e a aplicação da tecnologia no país. O documento oficial do plano, disponível no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, coloca a formação de capacidade nacional como parte do debate sobre o avanço da IA no Brasil.

Nesse contexto, o fundo representa uma tentativa de conectar política de inovação, financiamento e empreendedorismo tecnológico. A intenção é criar condições para que startups brasileiras não apenas adotem soluções prontas, mas também desenvolvam produtos e tecnologias próprios. A participação do BNDES e da Finep reforça o caráter institucional da iniciativa, enquanto a gestão especializada deverá conduzir a análise das oportunidades de investimento.

O próximo passo será concluir as avaliações e a diligência da Monashees, além de estruturar formalmente o fundo. Só depois dessas etapas será possível conhecer os detalhes operacionais, como as regras de participação, o cronograma de aportes e as empresas que poderão ser consideradas. Por isso, os R$ 500 milhões devem ser entendidos como um potencial de mobilização associado ao projeto, e não como dinheiro já disponível para todas as startups de IA.

Compartilhe esse artigo
Deixe um comentário