A Cisco anunciou, em 15 de setembro de 2026, novas soluções da Splunk para levar recursos de inteligência artificial a ambientes locais, nuvens privadas e infraestruturas isoladas da internet. A proposta é atender organizações que precisam manter dados sensíveis dentro dos próprios data centers ou que não desejam transferi-los para serviços públicos de nuvem.
O anúncio foi realizado durante o evento Splunk .conf, em Denver, nos Estados Unidos. Segundo a Cisco Newsroom, as novidades foram desenvolvidas para apoiar o uso corporativo de IA com mais controle sobre segurança, governança, desempenho e custos.
Cisco AI POD for Splunk leva IA a data centers próprios
O principal destaque é o Cisco AI POD for Splunk, uma arquitetura que reúne infraestrutura da Cisco, computação acelerada da NVIDIA, software de execução de inteligência artificial e uma estrutura baseada em Kubernetes. De acordo com a empresa, a combinação permite disponibilizar recursos de IA da Splunk para clientes que operam seus próprios ambientes de computação.
Na prática, a solução é voltada a cenários em que a empresa precisa usar modelos e agentes de IA sem abrir mão do controle físico ou lógico sobre os dados. Esse tipo de arquitetura pode ser relevante para setores que trabalham com informações reguladas, estratégicas ou confidenciais, como instituições financeiras, hospitais, órgãos públicos, indústrias e operadoras de telecomunicações.
A Cisco afirma que a oferta poderá funcionar com diferentes modelos de inteligência artificial. Isso inclui modelos próprios, alternativas abertas e soluções de terceiros. A flexibilidade permite escolher o modelo mais adequado para cada tarefa, sem que a organização precise necessariamente enviar seus dados para fora da infraestrutura privada.
Ferramentas apoiam investigações e criação de agentes
Além da infraestrutura, a empresa apresentou o Splunk AI Assistant, disponível para uso imediato. A ferramenta foi descrita como um recurso para apoiar investigações e operações realizadas na plataforma, usando IA para auxiliar equipes que precisam analisar informações e responder a situações de segurança.
Outro lançamento é o Agent Launchpad, previsto para chegar posteriormente em 2026. A solução deverá apoiar a criação de agentes personalizados para diferentes necessidades operacionais. A proposta acompanha uma tendência de mercado na qual sistemas de IA deixam de apenas responder a comandos e passam a executar etapas de tarefas, sempre dentro de regras definidas pela organização.
Esse modelo, entretanto, aumenta a necessidade de supervisão. Quanto mais autonomia um agente recebe, maior é a importância de acompanhar suas decisões, limitar ações de risco e verificar se as respostas estão de acordo com as políticas internas. Por isso, a Cisco posiciona as novidades como parte de uma arquitetura voltada não apenas à capacidade dos modelos, mas também à governança do uso de IA.
Observabilidade monitora tokens e custos dos agentes
O Splunk Agent Observability também foi apresentado como parte do pacote. A solução passa a oferecer recursos de “Tokenomics”, voltados ao acompanhamento, em tempo real, do desempenho dos agentes, do consumo de tokens e dos custos associados ao uso de ferramentas de inteligência artificial.
Segundo a Cisco, o recurso pode identificar padrões de consumo e projetar gastos antes do encerramento de um ciclo de faturamento. A medida busca dar às empresas uma visão mais clara sobre o impacto financeiro de agentes e modelos, especialmente em operações que envolvem grande volume de interações ou uso frequente de ferramentas automatizadas.
A observabilidade também inclui controles para impedir ações consideradas imprecisas ou inseguras. Entre os exemplos citados pela empresa estão respostas com alucinações e possíveis vazamentos de informações confidenciais. Dessa forma, o monitoramento pretende atuar tanto na eficiência operacional quanto na redução de riscos relacionados ao comportamento dos agentes.
Privacidade e soberania de dados ganham importância
A estratégia anunciada pela Cisco ocorre em um momento em que empresas tentam transformar projetos experimentais de IA em aplicações corporativas. Para isso, não basta selecionar um modelo com bom desempenho. Também é necessário definir onde os dados serão processados, quem poderá acessá-los, quais ações os agentes estarão autorizados a executar e como os custos serão acompanhados.
A página da Splunk, indicada no anúncio como referência para a oferta, complementa o direcionamento institucional da solução. O foco em ambientes locais e privados pode ser especialmente relevante para organizações brasileiras sujeitas a exigências de privacidade, segurança e conformidade.
Embora o anúncio tenha sido feito nos Estados Unidos, a discussão tem alcance internacional. Ao combinar infraestrutura própria, diferentes opções de modelos e ferramentas de observabilidade, a Cisco busca apresentar uma alternativa para empresas que querem adotar IA generativa e agentes autônomos sem perder o controle sobre dados, operações e previsibilidade financeira.
