Brasil prepara rastreabilidade total do rebanho até 2032

Por Miguel Valsera 4 Min de leitura
Guilherme Campos
Guilherme Campos

Guilherme Campos, investidor com atuação no setor agro, observa que a pecuária brasileira está no meio de uma transição que vai redefinir, até 2032, como cada boi e cada búfalo do país é identificado, do nascimento até o abate. O Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos estabeleceu um cronograma que já está em andamento, com etapas que se estendem por quase uma década.

Diferente de mudanças que acontecem de uma hora para outra, essa transição segue etapas bem definidas, o que dá tempo para o produtor se preparar, mas também exige atenção a prazos que já começaram a correr desde 2025, quando a base de dados federal começou a ser estruturada.

A meta final: rastreabilidade individual completa até 2032

O plano prevê que, a partir de 2033, animais não identificados individualmente simplesmente não poderão mais circular no território nacional. Até lá, a identificação vai se tornando obrigatória em camadas sucessivas, começando pelos animais envolvidos em manejo sanitário e protocolos comerciais específicos, e só depois se estendendo ao restante do rebanho nacional.

Guilherme Campos pontua que esse desenho em etapas evita o choque de uma exigência repentina sobre toda a cadeia, mas também significa que quem deixar para se adaptar só no fim do prazo vai competir por atenção técnica e equipamentos junto com todo o resto do setor, numa corrida que tende a se concentrar nos últimos anos antes de 2032.

Onde estamos agora: 2026 é o ano da integração dos sistemas

Neste ano, a exigência recai sobre os próprios órgãos estaduais de sanidade agropecuária, que precisam adaptar seus sistemas para conversar com a base de dados nacional do programa. É uma etapa mais estrutural do que visível no dia a dia da fazenda, mas essencial para que as próximas fases funcionem sem retrabalho nem duplicidade de cadastro entre estados diferentes.

Guilherme Campos
Guilherme Campos

Sem essa integração entre os sistemas estaduais e a base federal, a identificação individual que começa a valer a partir de 2027 correria o risco de gerar informação fragmentada, sem valor real para rastrear a origem de um animal específico ao longo de toda a sua movimentação pelo país.

O que vem entre 2027 e 2029: identificação em manejos e protocolos

A partir de 2027, animais que passarem por manejos sanitários, como vacinação contra brucelose, ou que estiverem inseridos em protocolos privados homologados pelo governo federal, precisarão ter identificação individual registrada no sistema, seja por brinco eletrônico, seja por outro dispositivo aprovado pelo Ministério da Agricultura.

Nesse sentido, Guilherme Campos salienta que produtores que já adotarem identificação individual voluntariamente nessa fase, mesmo antes de serem obrigados, vão chegar às etapas seguintes com processo rodado, em vez de correr atrás de equipamento e treinamento de última hora, quando a fila de fornecedores e técnicos estará mais concorrida.

Por que isso importa mais para quem exporta ou pretende exportar?

Mercados como a União Europeia já cobram rastreabilidade ligada à origem livre de desmatamento com prazos mais curtos do que os do plano nacional, criando uma pressão adicional sobre produtores voltados à exportação, que precisam atender a dois calendários diferentes ao mesmo tempo.

Para Guilherme Campos, quem se antecipa a essas exigências, em vez de esperar o prazo final se aproximar, tende a manter acesso mais estável aos mercados que mais valorizam a carne brasileira, justamente aqueles que mais cobram prova documentada da origem do animal e da forma como ele foi criado. Quem quiser acompanhar mais sobre produção sustentável na pecuária pode seguir o perfil @guicamposvlg no Instagram.

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